Cléa Maria Ferreira destacou a importância de observar as experiências dos estudantes e usar dados para orientar ações contínuas
A educação antirracista precisa estar presente nas relações e nas decisões pedagógicas do dia a dia para que deixe de ser uma ação pontual e produza mudanças duradouras. A reflexão foi apresentada por Cléa Maria Ferreira, doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e mestre pela Universidade de São Paulo (USP), durante a quarta sessão do 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê, realizada nessa quarta-feira (23). A palestra abordou os ‘Desafios de uma Educação das Relações Étnico-Raciais e Antirracista’ em transmissão ao vivo pelo YouTube para profissionais da rede pública de ensino da região.
Ao retratar situações comuns em sala de aula, a palestrante mostrou como diferenças aparentemente pequenas no acolhimento, nas devolutivas e nas oportunidades de participação podem se acumular ao longo da trajetória dos estudantes. “As desigualdades nem sempre começam a se expressar nos resultados. Muitas vezes, elas começam nas experiências. E é justamente aí que essas tensões das relações vão se construindo e acumulando efeitos que trazem resultados que não são aqueles desejáveis”, advertiu a educadora. Para identificá-las, Cléa Maria defendeu observar as interações, analisar dados com recortes raciais e investigar quem recebe atenção, orientação e suporte para aprender.
Entre os caminhos apresentados por ela também estão diversificar autores e referências nos materiais e projetos escolares, criar espaços para que estudantes participem das decisões sobre a própria aprendizagem e promover formação para professores e funcionários. A palestrante também defendeu que a escola tenha protocolos para acolher quem sofre racismo e respostas pedagógicas aos agressores.
Representantes dos municípios consorciados participaram do debate ao fim da palestra. A secretária de Educação de Igaratá, Nair Ferreira, perguntou à educadora como municípios de pequeno porte, com recursos limitados, podem transformar a educação antirracista em uma política permanente e efetiva. Em sua resposta, Cléa Maria destacou que a articulação regional pode favorecer a troca de práticas, com exemplos aplicados em cidades vizinhas. Já a secretária adjunta de Educação de Guararema, Aline Amorim Marques, relatou que a pasta vem trabalhando para reduzir as desigualdades e citou a conquista do Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), que premia redes estaduais e municipais que demonstram melhorias na gestão educacional e evolução na aprendizagem dos estudantes.
Promovido pelo Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê e Região (CONDEMAT+), o fórum reúne especialistas e representantes de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e o Conselho Nacional de Educação (CNE).
O 7º Fórum Internacional de Educação dos Municípios do Alto Tietê é realizado pelas Secretarias de Educação das cidades consorciadas, com coordenação executiva do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada (IBSA) e apoio institucional da Unesco.
O evento chega à sua última sessão na próxima quarta-feira (30), das 19h às 21h, com o tema ‘Desafios para o Futuro da Escola Pública’.


