No nosso último encontro por aqui, havíamos falado sobre o inicio das favelas e sobre seu nome (se não leu a última coluna, corre lá). A verdade é que somos condicionados a todos os momentos a procurar soluções rápidas e que exijam o mínimo esforço possível, para problemas ou situações que encontramos. Com o advento das favelas não foi diferente, com um crescimento assombroso em menos de um século, os governos já não sabiam como solucionar essa problemática social.
Eis que veio a “brilhante” ideia de fazer quase que um “rebranding” das favelas brasileiras, ou seja, ao invés de solucionar os problemas a proposta era trocar de nome, com talvez a falsa sensação de que o eufemismo pudesse salvar as vidas em situação de vulnerabilidade. Logo tal ação se provou muito pouco eficaz, mesmo baseada sobre a ideia de descontruir estereótipos, acabou por descontruir identidades sociais, gerando confusões sobre as diferenças entre o que de fato são favelas, comunidades, periferias e bairros.
Se eu falasse para você que existe uma definição clara, estaria cometendo um erro, já que nem mesmo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem essas diferenças claras, mas aqui vai algumas dicas para identificar esses locais:
Bairros: Um bairro é uma divisão administrativa oficial de uma cidade, podendo ser planejado ou espontâneo. Ele tende a ter uma infraestrutura completa, como asfalto, saneamento, fornecimento de energia regular, equipamentos públicos próximos e transporte público eficiente, o que depende muito do investimento público. Além disso, há bairros de alto padrão, classe média e baixa renda, sem necessariamente estarem em situação de vulnerabilidade.
Periferias: São áreas afastadas de grandes centros urbanos e que já possuem infraestrutura limitada, mas que são quase que completamente regulares em termos de ocupação do solo. Geralmente possuem asfaltamento, fornecimento de energia e saneamento básico completo ou próximo disso. Porém, o acesso aos equipamentos públicos são limitados ou distantes, um transporte coletivo ineficiente e baixa oferta de pontos de lazer e emprego.
Comunidade: As comunidades são locais parcialmente urbanizados, inclusive contando com fornecimento elétrico, e saneamento básico também deficitários ou incompletos. Baixo acesso a equipamentos públicos (geralmente os moradores utilizam equipamentos de outros territórios) e com asfaltamento de baixa qualidade ou improvisado.
Favelas: São áreas ocupadas informalmente, geralmente em terrenos públicos ou privados sem regularização fundiária, possuem infraestrutura precária (saneamento básico deficiente ou com ligações irregulares, ruas estreitas, moradias improvisadas). O asfaltamento é inexistente ou improvisado (terra batida ou concretamento caseiro) além disso, uma alta propensão a acidentes como por exemplo: incêndios, alagamentos e desmoronamentos. Na maioria das vezes, favelas e comunidades são entendidos como sinônimos, mas existe um movimento social que reivindica essas diferenças, portanto, vamos levar em consideração a população residente destes locais.
Independente do nome, nomenclatura ou apelido as Favelas existem e precisam ser enxergadas de maneira estrutural, a construção social de um século induziu a sociedade a pensar que são territórios sinônimos de carência e miséria, mas a verdade é que são essas pessoas que “carregam o piano” que sustentam o Brasil e quiça, estruturam o mundo. Por falar em favela no mundo, esse é o nosso próximo papo.


