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Poá realiza estudo inédito para detectar e tratar tracoma em parceria com o governo estadual

Moradores de casas sorteadas passam por exame ocular gratuito para combater doença que pode levar à cegueira

A Prefeitura de Poá deu início a uma ação estratégica de saúde pública voltada para o combate ao tracoma, uma doença ocular infecciosa que pode levar à cegueira se não for tratada corretamente. A iniciativa, que ocorre em parceria com o Centro de Oftalmologia Sanitária do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), ligado à Secretaria de Estado da Saúde, envolve a realização de uma pesquisa domiciliar com exame gratuito nos olhos de moradores das residências selecionadas.

A campanha está sendo conduzida em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde de Poá e visa identificar e tratar casos da doença, principalmente em crianças de até 10 anos, faixa etária mais vulnerável ao tracoma. O estudo envolve uma equipe técnica capacitada e segue protocolos éticos rigorosos, garantindo o sigilo das informações dos participantes e o consentimento livre e esclarecido antes da realização dos exames.

O tracoma é uma inflamação ocular provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis e se transmite, principalmente, por contato direto com secreções dos olhos de pessoas infectadas ou pelo compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas e lenços. Os principais sintomas incluem olhos vermelhos, coceira, irritação e presença de secreção.

Sem tratamento adequado, a infecção pode se agravar ao longo dos anos e resultar em complicações severas, como cicatrizes na córnea, deficiência visual e até mesmo cegueira. Um dos quadros avançados da doença é a triquíase, condição em que os cílios se voltam para dentro e tocam o globo ocular, provocando dor intensa e lesões.

Como funciona a pesquisa

A ação começa com uma breve entrevista com o responsável pela residência selecionada, que leva cerca de 10 minutos. O objetivo é buscar informações sobre as condições do domicílio e dados pessoais, e serve como etapa inicial para o exame ocular, que será feito nos demais moradores da casa.

O secretário de Saúde de Poá, Silvanei Mamed, explica que o exame é simples e indolor. “É feito nas pálpebras dos olhos com o auxílio de uma lupa de 2,5x de aumento, utilizando luz natural ou lanterna”, relata. O procedimento pode causar um leve desconforto ao examinar a parte interna da pálpebra superior, mas é rápido e não causa dor.

Caso a infecção seja confirmada em algum morador, todos os integrantes da residência receberão o tratamento gratuitamente, com uma dose única de antibiótico via oral. “Esta dose é suficiente para eliminar a bactéria causadora da doença”, ressaltou o chefe da pasta.

Ele também alertou que o uso do medicamento pode causar efeitos colaterais leves, como náuseas, que são comuns a outros antibióticos e tendem a desaparecer rapidamente. “Mesmo assim, os benefícios superam em muito os riscos”, reforçou Mamed.

A participação na pesquisa é totalmente voluntária. Os moradores podem recusar ou desistir de participar a qualquer momento, sem necessidade de justificativas. Todos os dados coletados serão tratados de forma confidencial e utilizados exclusivamente para fins da pesquisa.

“Com a iniciativa, a Prefeitura de Poá demonstra um compromisso efetivo com a saúde da população, ao mesmo tempo em que colabora com o esforço estadual para erradicar o tracoma do território paulista. Além de oferecer diagnóstico e tratamento gratuitos, a ação busca educar a população sobre os cuidados preventivos e ampliar o acesso ao atendimento oftalmológico”, encerrou o secretário.

Foto: SECOM / Prefeitura de Poá

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