Quase 17 milhões de pessoas, que representa cerca de 8,1% da população brasileira. Esse é o número de cidadãos que vivem em alguma favela ou comunidade do Brasil. Um número que talvez te leve a pensar de maneira eufêmica supondo que “8%” é um número considerado baixo, tendo em vista que ainda restam 92% de outras pessoas não residentes dessas áreas.
Porém, o problema não está no número em si, mas sim, nas pessoas que o carregam de maneira inconsciente no seu cotidiano. Na história da sociedade moderna, atribuir números a pessoas, nunca foi uma boa escolha, pois, esse número é considerado baixo porque muitas vezes não somos nós que participamos desta estatística, ou muito menos a nossa família.
Residir em favelas e comunidades, te exige muitas habilidades incomuns de serem encontradas e até mesmo nomeadas. Afinal, como metrificar a habilidade do “improviso”, como por exemplo o pai ou a mãe de família que mesmo sem possuir acesso a educação, edifica uma casa com uma gama tão grande de materiais (madeira, fundo de guarda-roupa, lonas, restos de alvenaria e dversos outros materiais) que nem mesmo o engenheiro mais renomado se atreveria a realizar tal feito. Como atribuir uma medição ao índice de “economia” a uma família que mesmo recebendo um salário mínimo, consegue se alimentar, pagar suas contas e ainda se reestabelecer todas as vezes que a enchente leva seus bens embora.
Números e pessoas só podem estar correlacionados, quando usamos esses mesmos números para destacar o quanto essas pessoas se superam todos os dias. Se disséssemos que todos estão empenhados em vencer essas dificuldades, estaríamos mentindo, mas a grande parte anseia por emancipação e busca uma vida com menos desafios.
Os 8%, nem sabem muitas vezes que estão dentro dessa estatística, porem, te garanto que mesmo não sabendo, neste momento, buscam um escape. De maneira simplista e exemplificada, pense no seguinte cenário:
“Suponha que neste momento, alguém se achegasse ao seu lado e lhe dissesse que você vale 1 milhão de reais e que se alguém pagasse esse valor, poderia ser o “dono” da sua vida.
Parece um tanto quanto extremista, não?!
Entende que mesmo que seja um número vultuoso, pessoas e números não combinam? Portanto, os 8%, não são “só 8%” na verdade, essas pessoas podem demorar até 120 anos para saírem desse ciclo de pobreza, ou seja, as primeiras família da primeira favela (Morro da Providência – 1900) podem ser que estejam superando esses obstáculos somente agora.
Que no Brasil, número e pessoas possam estar ligados apenas nas salas de aula e nas classes de matemática! Se bem, que ainda existem milhares sem acesso a educação, então, que o Brasil se convença de que uma sociedade engajada, reduz desigualdades, ai sim, poderemos usar os números mas mostrar as nossas conquistas.




